Quem sou eu

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Artista visual, arteira desde sempre. Amo moda, fotografia, desenho, teatro, dança. E mais tantas outras coisas, mas...Acima de tudo, amo a liberdade de ser eu mesma!!!!!

Oi, meu nome é Daniela Karg, bem vindos ao meu blog!

Reunindo minhas linguagens, que transitam pela moda, maquiagem, teatro, fotografia, dança e artes visuais, criei a Alma de Boneca!

Confecciono bonecas, acessórios e fantasias exclusivas, combinando minhas técnicas e elementos vindos de histórias (contadas por quem as encomenda e minha imaginação).

Conheça meu trabalho e fique à vontade, entre contos, sonhos e poesias que costuro em minha ALMA!

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sábado, 27 de novembro de 2010

Baú de maravilhas parte IV


Relato de aula 10/09/09 segunda parte: (o que não acrescentei)

Aula Magna: MA-RA-VI-LHO-SA! Impossível mostrar e falar tudo que a professora Ana Lúcia viu. Fiquei besta com tanta informação. Não ter com quem dividir tanta novidade seria um crime!!! Tudo que eu queria era o meu irmão comigo. Se pudesse, pediria pra parar tudo até buscá-lo.

Muitas falas da Ana me chamaram a atenção... Muitos trabalhos (todos em geral) são ótimos... Mas aqueles que fizeram, digamos, meu coração bater mais forte, foram as composições feitas com adesivos, o trabalho de Delson Uchôa, com sobreposições de plásticos pintados. As dicas da Yoko Ono foram ótimas, o jogo de sombras do Hans Peter Feldman (MARA)!

O trabalho da Miwa Yanagi (Mulheres desenhadas pelo vento) como um todo, me deixou louca de vontade de fazer algo assim e pôr em prática todas as idéias malucas que guardamos (Pedro e eu) na “caixola”! Os trabalhos do Matteo Basilé também são bem significativos, vêm de encontro com nossas idéias!

O cara da Rússia (Pavel) é muito bom! Deu vontade de ver todos os outros monumentos criados por ele, foi um ótimo exemplo de como uma idéia na cabeça, por mais simples que seja, pode e deve ser posta em prática!

Aula de desenho da figura humana:

...Foi minha primeira modelo oficial, o primeiro retrato que a pessoa sabe que está sendo desenhada e posa por livre e espontânea vontade!

Depois da aula, lembrei de duas situações que me marcaram muito.

Aos seis anos me pediram para desenhar a coordenadora da escola onde estudei. Eu e mais quatro crianças, todas sentadas na mesa da direção. Que ridículo! Fiz o desenho de qualquer pessoa, menos ela, a Maristela.

Mas alguns dias depois, em casa, eu só tinha um calendário de mercado (com fotos de cachorrinhos) e uma caneta Bic à mão... Virei o calendário e comecei a desenhar no papelão uma mulher. Rosto grande, olhos tristes, com muita maquiagem e brincos de losangos enormes... Como eu sempre fiz, mostrei pra minha mãe o resultado.
E ela gritou: “É a Maristela! Como tu fez isso?”

Pensei que a mãe tivesse surtado e passei a vergonha de ser obrigada a levar aquele calendário horroroso pra escola, que a mãe fez questão de mostrar pra coordenadora... Só lembro de vê-la gritando o meu nome, chorando e me apertando emocionada. Ficou com o retrato que eu fiz sem saber... E ontem, por um segundo, eu vi da colega aquele mesmo olhar de emoção ao ver o seu desenho, mas com certeza, sem a histeria da Maristela!

E claro, não pude deixar de lembrar do dia que eu muito esperei, quando conheci o meu irmão. Foi um reencontro, quando fiz meu primeiro desenho com o modelo de verdade, não precisava mais imaginá-lo. Eu estava com sete anos e não podia fazer nenhuma força para pegá-lo, depois de um mês hospitalizada, tudo que eu pude fazer foi olhar pra ele, dormindo com a testa franzida e embrulhado em cobertores de bebê. A luz do abajur era fraca, mesmo assim eu o desenhei, e guardo sempre comigo o primeiro registro do Pedro, ainda não tinham tirado fotos dele. E foi perfeito, porque aquele registro tinha que ser somente meu.
...Acho que sou poliglota, pelo menos me considero assim. Olho pra essas crianças e ouço suas linguagens. Conheço todas, ou quase todas. Muitas vezes quero ser analfabeta, surda e muda de línguas nacionais, que me tornam tão estrangeira.

A língua da dor, do desprezo, da solidão, da vergonha, da exclusão, da tristeza, do medo, da violência, da sensualidade, da maldade. Inocência é algo que eu não vejo. Não sei mais discernir, não sei o que realmente significa inocência.

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