Quem sou eu

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Artista visual, arteira desde sempre. Amo moda, fotografia, desenho, teatro, dança. E mais tantas outras coisas, mas...Acima de tudo, amo a liberdade de ser eu mesma!!!!!

Oi, meu nome é Daniela Karg, bem vindos ao meu blog!

Reunindo minhas linguagens, que transitam pela moda, maquiagem, teatro, fotografia, dança e artes visuais, criei a Alma de Boneca!

Confecciono bonecas, acessórios e fantasias exclusivas, combinando minhas técnicas e elementos vindos de histórias (contadas por quem as encomenda e minha imaginação).

Conheça meu trabalho e fique à vontade, entre contos, sonhos e poesias que costuro em minha ALMA!

APRECIADORES

sexta-feira, 20 de março de 2015

Enchanted Dreams

Nunca pensei que um dia diria que é bom estar longe do blog, o que significa muito trabalho!
Mas hoje dei um tempinho nas costuras e trouxe registros de um trabalho diferente, de um momento que me dei de presente, afinal, fazer bonecas para as pessoas é maravilhoso, mas também mereço sonhar em ter uma boneca pra chamar de minha!
Conhecer o trabalho da Marina Bychkova (que sempre fez parte da minha amada barra de inspirações aqui do blog), foi como chegar num oásis, ao percorrer um deserto de solidão. Refiro-me ao fato de tentar me fazer entender, encontrar público, mercado e porque não dizer, contemporâneos da minha arte.
Há sete anos acompanho o seu trabalho (como o de outros bonequeiros) e sua trajetória de muita dedicação à arte de encantar bonecas. De lá pra cá, ela já foi tema de um trabalho que apresentei na faculdade, material de pesquisa para criação e de muita inspiração nas horas difíceis. Quando comecei a fazer bonecas, tive momentos em que tudo que eu queria, era tocar fogo no trabalho inteiro, minhas mãos não acompanhavam o que na minha mente tinha mais harmonia e sentido. Corria para o minucioso trabalho de horas, meses e até anos de apenas uma boneca da Marina e observava a quantidade de pecinhas minúsculas, de bordados, sobre as pinturas, de acessórios exclusivamente elaborados...e aquilo tudo me acalmava maravilhosamente. Se ela quebrava a cabeça em seus projetos engenhosamente projetados e não os queimava por qualquer dificuldade, porque eu iria destruir os meus? Valeu Marina, pelo apoio moral que nem sabes que tanto busquei! \o/
Sempre que pode, ela propõem temas do seu concurso anual de aniversário (16 de março). Concurso que eu nunca tinha participado de bocaberta que era!
Pois esse ano, quase perdi o prazo de participação, faltando três dias de entrega do projeto. Cada ano é um tema e uma proposta bem diferente, de presentes a cartões postais, objetos elaborados pelos fãs que sonham em ter uma de suas jóias de porcelana, ou mesmo uma réplica em resina, como no concurso desse ano!
Bonecas prêmio do concurso 2015.

Sei que a cada ano é sempre mais difícil de participar, mas se eu considerar que sempre terei mais trabalhos a fazer, já posso desistir de tentar qualquer coisa, com esse pensamento pessimista. Então medi as possibilidades. Parei dois dias do meu trabalho, pra elaborar algo apresentável, mesmo sabendo que não iria ganhar. E isso não é um coitadismo. É a consciência de que precisaria de no mínimo um mês de antecedência, pra desenvolver um trabalho de acordo com os parâmetros estéticos e anatômicos esperados pela Marina. O penúltimo concurso me marcou com tantos trabalhos incríveis, pra projetar uma "Enchanted Doll". Esse ano, a proposta era criar uma tatuagem para uma ED. Mesmo sabendo que não teria tempo de desenvolver e aproveitar toda a anatomia da boneca, busquei inspiração em uma analogia que acredito ser algo único e especial em cada pessoa. O nosso "centro criativo", desenhado e escrito em menos de duzentos caracteres. Maior do que o receio de "perder meu tempo", foi a vontade de ganhar experiência e ter um momento de sonhar. Como escreveu uma das participantes, ela iria "olhar pra mim", o que resume tudo!

Primeiro, esbocei a primeira ideia que tive.

Seguida por uma outra rabiscada, pra ter certeza!

Depois uma variação, que não funcionou mais do que as palavras que queria expressar.

Caminho do raciocínio que só eu consigo ler...

...síntese que ficou definitiva. Só depois disso é que o desenho veio!

Boneca escolhida pra base do corpo. Um guia pra me orientar, já que não me preocupei em fazer uma cópia fiel.





Pintei com tintas de tecido, era o único material de colorir que tinha em mãos no momento. Busquei ao máximo a minha representação da ideia, sem querer reproduzir os traços e cores da Marina, característicos do seu trabalho.

Aqui, a página com o meu projeto:


Fui a centésima nona participante, entre trezentos e dezenove inscritos.
Enquanto não saía o resultado, éramos uma legião de fãs com sonhos (no meu caso) e pesadelos. E lendo os comentários de tensão, achei graça em ver que independente das nacionalidades, o piriri era geral! 
Acompanhei cada projeto inscrito, com algumas "carinhas" conhecidas, de artistas bonequeiros e colecionadores. Belíssimos, intrigantes, inspiradores. Perséfone continua eterna musa do submundo artístico, mas a diversidade de contos, mitos e histórias pessoais retratadas em forma de tatuagens, foi algo emocionante. Um verdadeiro presente de aniversário, para vários ganhadores de conhecimento. Mesmo os trabalhos mais simples, tiveram cargas emocionais de invadir o peito com lágrimas, como o caso de dois, entre os três projetos vencedores! Uma coisa era unânime. A maneira como a maioria dos participantes se preocupou em valorizar sua história, seu passado, sua cultura. Mostraram a condição de ser ou sentir a mulher, fato de maior relevância na obra da Marina que, independente da sua técnica, valoriza a humanidade. Isso a torna diferente da grande indústria de bonecas, que ainda confunde o tamanho dos saltos e as cores do batom, como características importantes da condição de ser feminina, o que é ainda pior, confundem isso com feminismo. 
Depois de toda essa leitura, percebi o que mais me encanta nessas "bonecas encantadas". Mais do que belos trajes, têm olhos profundos, que falam e gritam e até nos ensurdecem silenciosamente. E belos corpos. Não me refiro à brancura da porcelana, ou a magreza, ou as curvas dos moldes com grandes quadris. Mas à nudez como algo que existe e não pode ser ignorado, como em tantas bonecas "educativas" com suas saias curtíssimas e sempre prontas para uma voltinha no shopping com suas amigas da mesma linha de fabricantes... em tempos de desafios virtuais, em que aparecer sem maquiagem torna uma mulher digna de admiração, artistas como a Marina ainda nos lembram que lá fora, longe das redes sociais, mas girando na mesma órbita, existem mulheres, crianças, seres humanos sem rosto. Com corpos e almas mutiladas por outros seres humanos. E desafio maior do que acordar todos os dias pra sobreviver, não há.  

Buenas. Independente de chegar ou não a minha hora de adquirir uma Enchanted Doll, quem sabe no próximo concurso, eu não pegue o bonde andando e aproveite melhor o tempo de elaboração de presentes coletivos como esse! 
Abraços, até o próximo post!

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