Quem sou eu

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Artista visual, arteira desde sempre. Amo moda, fotografia, desenho, teatro, dança. E mais tantas outras coisas, mas...Acima de tudo, amo a liberdade de ser eu mesma!!!!!

Oi, meu nome é Daniela Karg, bem vindos ao meu blog!

Reunindo minhas linguagens, que transitam pela moda, maquiagem, teatro, fotografia, dança e artes visuais, criei a Alma de Boneca!

Confecciono bonecas, acessórios e fantasias exclusivas, combinando minhas técnicas e elementos vindos de histórias (contadas por quem as encomenda e minha imaginação).

Conheça meu trabalho e fique à vontade, entre contos, sonhos e poesias que costuro em minha ALMA!

APRECIADORES

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Liberte-se


"O desenho é a honestidade da arte. Não há possibilidade de trapaça. Ou se é bom, ou se é mau."

Esse e outros tantos pensamentos que vieram de encontro com minhas idéias sobre desenho, estão contidos neste artigo, tão ricamente elaborado para o Obvios Magazine: http://obviousmag.org/ e não pude deixar de dividi-lo aqui no Aurora.
Confesso que senti muita vontade de voltar a desenhar, bateu saudade dos meus materiais de desenho. Mais que isso, senti vontade de conversar sobre esse tema, escrever, pesquisar, trocar idéias. Meu lado professora/estudante/artista e principalmente crítica, afloraram nos últimos dias.
A todos aqueles que eu tanto gostaria de conversar e dar um empurrãozinho, dizendo "solta tua mão e abre tua mente!", fica esse texto de Alexandre Romero, com uma inveja bem gostosa de pensar: "Nossa! Gostaria de ter escrito isso!" (risos).

CROQUIS: DESENHAR EM LIBERDADe


publicado em artes e ideias por 
Por detrás do design há todo um conjunto de ferramentas de expressão criativa, entre as quais nenhuma se iguala ao velho díptico lápis-papel. Poderíamos falar de arquitectura ou até de cartografia, mas falaremos de moda, do desenho e da liberdade do traço, apoiados nos croquis de Tiago Loureiro, coleccionador de predicados.



croquis, desenho, loureiro, moda, tiago © Croquis de Tiago Loureiro.


Desenhar sobre um papel é, à primeira vista, um processo livre, sem constrangimentos nem barreiras para além do limite do talento e da própria imaginação. Mas, na verdade, não é assim. Quem desenha sabe que será julgado e avaliado por outros, e daí que procure a exactidão, uma técnica que domine bem, de modo a que o seu processo criativo resulte numa representação perfeita. Este desenho de representação é desde logo limitado, nas suas múltiplas formas. O croqui é algo diferente. Materializa aquilo que o criador processa, para que ele próprio possa ordenar e relacionar-se com a sua obra, de forma simples e espontânea.
A origem do termo croqui remonta ao início do século XIX: vem do francês croquer, que significa simplesmente esboçar, e pode aplicar-se às mais diversas áreas, da arquitectura à moda. Croqui não tem outro significado que o do desenho rápido, do bosquejo, do esquisso, não exigindo, portanto, grande precisão ou refinamento gráfico. Não representa uma ideia acabada e formatada pelo colectivo - é uma experiência individual, de descoberta e experimentação, como a pintura ou a escultura. Nele está contido o raciocínio e a emoção do indivíduo criador, moldados pelo processo criativo próprio, a caminho de um resultado inesperado.
Observando as imagens, o croqui é um desenho de linha pura, com eventuais texturas simples, mais representativas que realistas, colorido ou não. É uma forma de desenho mais livre, ainda que o seu propósito possa ser muito objectivo. Aproxima-se do desenho infantil e da sua liberdade de expressão única, sem pretender a exactidão dos traços ou um perfeito domínio da técnica. Distancia-se do resultado formal, mas compreende igualmente o registo do desenvolvimento do processo criativo e, envolvendo uma linguagem própria que varia de indivíduo para indivíduo, torna-se um acontecimento particular e dinâmico que permite ampliar a percepção da possibilidade e aí romper com os estereótipos presentes na memória. Ao criador traz o novo, o protótipo mutável, deixa espaço à sugestão de quem vê.



croquis, desenho, loureiro, moda, tiago © Croquis de Tiago Loureiro.


Nos croquis - por serem registos de ideias ou de emoções instantâneas - é evidente que é a estética e não tanto a técnica que se pronuncia, e isso é óbvio na moda. As figuras e as roupas permitem a ilusão do movimento e, com ele, uma representação dramática que imprime no desenho a sensação de quem cria, aquela que se pretende ao primeiro contacto e mais tarde, continuamente, com a peça criada.
A relação do croqui com a moda é muito especial. A guerra, como nenhum outro evento, traz o cosmopolitismo (falemos das conquistas de Alexandre Magno, do vasto Império Romano ou das Guerras Mundiais, e o efeito colateral é sempre o mesmo). Principalmente nos anos que se seguiram à II Guerra Mundial - durante a guerra ninguém produzia peças novas - o florescimento das casas de moda, muitas que hoje reconhecemos como as grandes, atraiu as atenções de compradores de todo o mundo aos grandes centros criativos. Paris era já a referência, e criadores como Balenciaga, Chanel ou Givenchy enviavam aos clientes croquis, acompanhados por pequenas amostras de tecido. Grandes compradores nos EUA, por exemplo, a milhares de quilómetros de Paris, e numa altura em que as comunicações e os transportes não eram o que hoje conhecemos, podiam assim conhecer as colecções e fazer as suas encomendas. Havia um certo encanto na espera, a curiosidade aguçada de quem aguarda pela correspondência.


croquis, desenho, loureiro, moda, tiago© Croquis de Tiago Loureiro.


Esses tempos passaram. O luxo foi democratizado. Agora enviam-se colecções inteiras para qualquer ponto do globo e são feitas captações exaustivas em fotografia e vídeo de cada peça, de cada coordenado. Diz-se no meio que são poucos, e cada vez menos, os criadores que incluem o croqui como passo primeiro do seu processo criativo. E desses, dificilmente o público verá os esboços. No entanto, para aqueles que começam, para aqueles que têm o talento e não estão ainda sob a pressão avassaladora de mudar tudo a cada estação, pelo menos para esses, este tipo de desenho é ainda o grande veículo de representação gráfica artística, deixando as novas tecnologias num segundo plano. O croqui trata da liberdade - questões como "qual o comando certo?" ou "como desenho isto?" não podem surgir aqui.
"O desenho é a honestidade da arte. Não há possibilidade de trapaça. Ou se é bom, ou se é mau.", dizia Dalí, apontando uma perspectiva estanque e directa que nos lembra que desenhar pode ser complicado, que desenhar bem não é de todo fácil e não é certamente para todos. Para o talentoso português Tiago Loureiro, finalista do curso de Design de Moda da Universidade da Beira Interior, blogger (vale a pena visitar StreetLights.pt), entre muitas outras coisas, que gentil e exclusivamente produziu belíssimos croquis para ilustrar este artigo, o desenho surge naturalmente como forma de expressão genuína. O croqui como apreensão fragmentária e transformativa da realidade, manifestação do génio criativo.


croquis, desenho, loureiro, moda, tiago© Croquis de Tiago Loureiro.

croquis, desenho, loureiro, moda, tiago© Croquis de Tiago Loureiro.

2 comentários:

  1. Como é bom saber que nesse meio, no nosso meio, ainda resta muita honestidade! Num mundo cheio de falsos valores a gente ainda respira o que somos de fato! Isso dá um alívio tão grande! Obrigada por divulgar esse texto, querida! Amei! E os croquis são de matar! Belíssimos! bju grande!

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  2. Obrigada pelo carinho!!!!
    Estou com saudades suas! Quando vais reativar teus blogs lindos?
    Beijão!!!!!

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