Quem sou eu

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Artista visual, arteira desde sempre. Amo moda, fotografia, desenho, teatro, dança. E mais tantas outras coisas, mas...Acima de tudo, amo a liberdade de ser eu mesma!!!!!

Oi, meu nome é Daniela Karg, bem vindos ao meu blog!

Reunindo minhas linguagens, que transitam pela moda, maquiagem, teatro, fotografia, dança e artes visuais, criei a Alma de Boneca!

Confecciono bonecas, acessórios e fantasias exclusivas, combinando minhas técnicas e elementos vindos de histórias (contadas por quem as encomenda e minha imaginação).

Conheça meu trabalho e fique à vontade, entre contos, sonhos e poesias que costuro em minha ALMA!

APRECIADORES

sábado, 1 de setembro de 2012

Printing in grayscale

Compartilhando uma de nossas fotos com um belíssimo texto, que o Pedro Karg recebeu esta semana!
Abraços, até o próximo post!




Printig in grayscale.

Há a natureza das maçãs vermelhas
e a natureza de todas as frutas
no arranjo sobre a mesa da cozinha,
na quitanda da esquina
ou caídas no chão,
no fim da feira.

Há a natureza das florestas verdes
ou travestidas de outono
que aparecem preservadas na foto
do anúncio de papel para impressora,
estampado na revista semanal.

Há também os oceanos e seus tons de verde e azul,
seus peixes coloridos
e suas marés vermelhas.

Mas há tons de cinza em mim.
Não um cinza refletido,
vindo das pedras das calçadas,
do jaleco dos técnicos
ou do concreto dos prédios.

Reflito o cinza que estava no vermelho
que cobria o piso do pátio da escola em Beslan.
Reflito o cinza que estava no branco
da folha de papel do discurso hipócrita
do presidente da Rússia.

Reflito o cinza que estava no preto
que manchava as águas da costa do Alaska.
Reflito o cinza que estava no caminho
do barco a deriva, do “greenpeace”.

Reflito o cinza que estava no carmim
do batom da menina que fazia programa nas ruas de Fortaleza.
Reflito o cinza que estava no verde e laranja
da camisa do turista americano
que lhe pagou quinze reais.

Reflito o cinza que estava no branco
dos olhos da criança faminta do Sudão ou do Piauí.
Reflito o cinza que estava, e ainda está,
na cúpula da casa branca, na da casa rosada, no verde da granja do Torto.

Reflito o cinza que estava no vermelho
que manchava a roupa da criança nos parques de Cabul.
Reflito o cinza que estava no roxo
que manchava a roupa da mãe que chorava, e ainda chora,
nas ruas de Bagdá ou da Rocinha.
Reflito o cinza que estava, e ainda está, no verde-cáqui,
dos uniformes dos soldados das missões de paz e de libertação.

No branco, a ausência das cores.
No preto, a soma de todas elas.
Há tons de cinza sobre as cores do mundo.
Há cinzas em mim.

Juliano Rodrigues Martins

Fechei janelas.
Fechei também as cortinas que cobrem as janelas.

Porque haverá nuvens sobre o resto dos dias.

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